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Eleições 2026 · análise dos resultados

A virada inédita de Lula: onde ele cresceu mais que Flávio entre os turnos

Petista reduziu a desvantagem em São Paulo e no Rio, virou Minas e ampliou a frente no Nordeste. Abstenção caiu 1,86 p.p.; veja o que os números permitem concluir.

Publicada em 26 de outubro de 2026 às 08:31 · atualizada em 26 de outubro de 2026 às 08:35

Uma virada entre turnos que a eleição presidencial ainda não tinha visto

Lula (PT) foi reeleito com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro (PL), 48,21%. O resultado de 25 de outubro inverteu a ordem do primeiro turno e inaugurou uma situação inédita nas disputas presidenciais brasileiras com duas votações: o segundo colocado na primeira etapa venceu a segunda.

Até 2022, o líder do primeiro turno tinha vencido as sete eleições presidenciais que chegaram à etapa final desde 1989. As eleições de 1994 e 1998 foram decididas na primeira votação. Portanto, o ineditismo de 2026 é presidencial e entre turnos; não significa que nunca houve viradas em disputas para governador ou prefeito.

Resultado final · 100% das seções totalizadas

Lula

Lula

PT · reeleito · 51,79%

×
Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

PL · 48,21%

O que explica a conta da virada

  • Lula adicionou 10.376.694 votos; Flávio, 3.721.538. A diferença entre os ganhos foi de 6.655.156 votos.
  • São Paulo e Rio continuaram com Flávio, mas a vantagem sobre Lula encolheu. Minas Gerais mudou de líder.
  • A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, com 2.960.239 comparecimentos a mais. O dado não identifica a escolha desses eleitores.

O avanço nacional dos dois finalistas

Lula · PT

  • 1º turno: 53.879.538 votos · 45,16%
  • 2º turno: 64.256.232 votos · 51,79%
  • Ganho: +10.376.694 votos e +6,62 p.p.

Flávio Bolsonaro · PL

  • 1º turno: 56.104.503 votos · 47,03%
  • 2º turno: 59.826.041 votos · 48,21%
  • Ganho: +3.721.538 votos e +1,19 p.p.

Fonte: TSE · Brasil · 2º turno · Percentuais sobre todos os votos válidos de cada turno. Ganhos calculados antes do arredondamento: a diferença entre percentuais exibidos pode variar 0,01 p.p.

Mais que trocar a cor de um estado no mapa

No primeiro turno, Flávio tinha 2.224.965 votos de vantagem. No segundo, Lula terminou 4.430.191 votos à frente. A mudança líquida dessa margem foi de 6.655.156 votos — ou 5,44 pontos percentuais, calculados sem arredondar as parcelas.

A reação de Lula ocorreu também em estados nos quais ele não venceu. Reduzir uma desvantagem em um eleitorado grande pode pesar mais no saldo nacional do que ampliar uma vitória em um estado menor. O indicador abaixo compara quanto cada finalista avançou em participação nos votos válidos, sem recalcular o primeiro turno apenas entre os dois.

Onde Lula avançou mais que Flávio em pontos percentuais

Ganho de Lula

  • São Paulo: +7,95 p.p. — de 38,20% para 46,15%
  • Minas Gerais: +7,11 p.p. — de 43,33% para 50,43%
  • Rio de Janeiro: +7,48 p.p. — de 39,41% para 46,90%
  • Bahia: +5,14 p.p. — de 66,17% para 71,31%
  • Pernambuco: +5,75 p.p. — de 63,45% para 69,20%
  • Ceará: +5,64 p.p. — de 63,29% para 68,93%
  • Goiás: +9,28 p.p. — de 31,06% para 40,34%

Ganho de Flávio

  • São Paulo: +1,91 p.p. — de 51,93% para 53,85%
  • Minas Gerais: +1,32 p.p. — de 48,24% para 49,57%
  • Rio de Janeiro: +0,09 p.p. — de 53,01% para 53,10%
  • Bahia: +0,15 p.p. — de 28,53% para 28,69%
  • Pernambuco: −0,23 p.p. — de 31,03% para 30,80%
  • Ceará: −0,20 p.p. — de 31,27% para 31,07%
  • Goiás: +6,06 p.p. — de 53,60% para 59,66%

Fonte: TSE · arquivos estaduais dos dois turnos (links ao final) · Percentuais sobre todos os votos válidos de cada turno. Ganhos calculados antes do arredondamento: a diferença entre percentuais exibidos pode variar 0,01 p.p.

São Paulo: a maior melhora da margem em número de votos

Lula ganhou 2.613.861 votos em São Paulo, contra 1.217.155 de Flávio. A participação do petista subiu 7,95 p.p.; a do candidato do PL, 1,91 p.p. A diferença entre esses avanços foi de 6,04 p.p. a favor de Lula.

Flávio ainda venceu o estado, com 53,85%, contra 46,15%. Mas sua vantagem caiu de 3.416.610 para 2.019.904 votos. A redução de 1.396.706 votos foi a maior contribuição estadual para a mudança da margem nacional. Esse número mede a alteração do saldo entre os dois; não representa votos individuais transferidos de um para o outro.

Minas virou; no Rio, a distância diminuiu muito

Em Minas Gerais, Lula passou de 43,33% para 50,43%, avanço de 7,11 p.p. Flávio foi de 48,24% para 49,57%, alta de 1,32 p.p. A mudança da margem foi de 5,78 p.p. em favor do petista. A vantagem de 588.612 votos de Flávio deu lugar a uma de 109.313 para Lula: uma alteração líquida de 697.925 votos.

No Rio de Janeiro, Lula avançou 7,48 p.p., enquanto Flávio cresceu 0,09 p.p. O candidato do PL continuou à frente, por 53,10% a 46,90%, mas a vantagem caiu de 1.273.823 para 603.640 votos. A melhora líquida da margem de Lula foi de 670.183 votos, ou 7,39 p.p.

O Nordeste ampliou a frente; Goiás exige olhar os dois ganhos

Bahia, Pernambuco e Ceará também tiveram peso expressivo. Na Bahia, Lula ganhou 5,14 p.p., contra 0,15 p.p. de Flávio. Em Pernambuco, o petista avançou 5,75 p.p., enquanto o adversário recuou 0,23 p.p.; no Ceará, as variações foram de +5,64 p.p. e −0,20 p.p., respectivamente.

São Paulo, Minas, Rio, Bahia, Pernambuco e Ceará foram as seis UFs que mais melhoraram o saldo de votos de Lula em relação a Flávio. Juntas, responderam por 4.306.389 votos da mudança líquida nacional de 6.655.156 — aproximadamente 64,7%. É uma decomposição da margem, não uma identificação da origem individual dos votos.

Goiás teve o maior avanço percentual de Lula entre as UFs: +9,28 p.p. Mas Flávio também cresceu bastante, +6,06 p.p., e venceu por 59,66% a 40,34%. O ganho relativo da margem foi de 3,22 p.p. Essa diferença mostra por que o maior crescimento de um candidato, isoladamente, não é necessariamente o maior efeito na disputa.

A abstenção diminuiu

Abstenção · 1º turno

21,08%

33.469.244 ausências

Abstenção · 2º turno

19,22%

30.509.005 ausências

Variação da taxa

−1,86 p.p.

Mesma base de comparação

Comparecimentos a mais

2.960.239

Diferença entre os dois turnos

Mais participação e menos brancos e nulos ampliaram os votos válidos

O comparecimento passou de 125.275.835 para 128.236.074 pessoas. Além dos 2.960.239 comparecimentos a mais, houve redução de 1.821.246 votos brancos e nulos somados: de 5.975.047 no primeiro turno para 4.153.801 no segundo.

Assim, o total de votos válidos aumentou em 4.781.485, de 119.300.788 para 124.082.273. Essa expansão é diferente do crescimento somado dos dois finalistas, que também passaram a concentrar a votação antes distribuída entre outros candidatos. São identidades contábeis do resultado agregado, não rastreamento de eleitores.

O resultado mostra a mudança; não identifica quem mudou o voto

Lula cresceu mais em participação nos votos válidos que Flávio em todas as 27 UFs. Isso não permite afirmar que todos os eleitores que passaram a comparecer votaram nele, nem atribuir a vitória exclusivamente à redução da abstenção. Os boletins não ligam o voto de uma pessoa no primeiro turno ao seu voto no segundo. Também não é correto tratar p.p. como crescimento percentual relativo.

Como fizemos a comparação

O Painel do Brasil leu os arquivos oficiais presidenciais dos dois turnos para as 27 UFs, o exterior e o total nacional. As somas de candidatos, válidos, brancos, nulos, comparecimento e abstenção por UF, acrescidas do exterior, foram conferidas com o nacional. Todos os arquivos consultados estavam com 100% das seções totalizadas.

O ganho em p.p. é a participação no segundo turno menos a do primeiro, usando todos os votos válidos de cada etapa. A mudança da margem é o ganho de Lula menos o de Flávio. Os cálculos são feitos com os votos inteiros antes de arredondar; por isso, subtrair percentuais já exibidos com duas casas pode produzir uma diferença de 0,01 p.p.

Resultado final do TSE, 100% das seções totalizadas. Arquivo nacional do 2º turno gerado em 25/10/2026 às 23h27min02s (Brasília); 1º turno em 05/10/2026 às 12h51min47s. Levantamento conferido em 26/10/2026. Votos brancos, nulos e abstenções não entram nos percentuais dos candidatos. As taxas de abstenção usam o eleitorado correspondente dos boletins, e não os votos válidos.